Neste artigo iremos explorar a matéria dos estudos com crianças selvagens.
Este é o caso de uma menina que foi mantida trancada dentro do quarto, amarrada a uma cadeira durante cerca de 11 anos.
O trágico evento da vida de Genie, começa quando era apenas uma bebé de 20 meses. Depois de uma ida ao médico e depois de um diagnóstico negativo, terá anunciado que Ginie teria provavelmente um atraso mental, o pai, um homem com graves desequilíbrios mentais, levou este diagnóstico demasiado a sério e resolveu privá-la do contacto humano, trancando-a no quarto amarrada a uma cadeirinha de criança. E foi assim que a manteve durante cerca de 11 anos, cada vez que Ginie tentava falar ou estabelecer qualquer tipo de contacto o pai batia-lhe. Inibida de desenvolver as suas capacidades, quando foi encontrada Ginie apresentava um grande atraso tanto ao nível da fala como da locomoção.
Esta foi a segunda história introduzida no documentário e fala da descoberta em 1799, de um menino que aparentava ter onze ou doze anos, que, no entanto se movia como um animal e soava como um, emitindo fortes grunhidos. A princípio ele escapava várias vezes e fazia as suas necessidades onde quer que estivesse.
Acabou por ser enviado para Paris um ano mais tarde, onde foi acolhido por Itard que acreditava que seria possível educa-lo. Isso acabou por acontecer parcialmente, aprendeu a utilizar a casa de banho e a vestir-se sozinho, no entanto era apenas capaz de articular um reduzido número de palavras. Em termos emocionais não conseguiu qualquer avanço.
Tanto no caso da Genie como no do Victor, ambos foram encontrados após terem passado a fase mais crítica da sua infância sem qualquer contacto físico, comportando-se como animais.
Na opinião do nosso grupo de trabalho, ambas estas crianças na altura em que foram encontradas foram imediatamente transformadas em "objetos da ciência". Temos clara consciência de que algo assim tem de ser estudado até porque esse estudo pode levar ao desenvolvimento destes e de futuros casos que sejam descobertos, porém do que vimos no documentário, Ginie teve pouco afeto durante todo o processo e as pessoas que se aproximavam dela pretendiam apenas usá-la para avançar com o seu próprio estudo científico.
Após meses de contacto com a sociedade e com os seus padrões culturais, em ambos os casos foram evoluindo as suas capacidades cognitivas e o facto de isso ter acontecido devido à mudança do meio em que foram inseridos e do contacto com uma educação de acordo com a sociedade comprova, na nossa opinião a importância do meio e da educação num período crítico da infância, uma vez que apesar dos avanços conseguidos, em nenhum dos casos as capacidades se desenvolveram até ao ponto em que deviam estar.